Maestro telúrico do sertão: filme “A música que nasceu da terra” será lançado em praça em Carnaúba dos Dantas

Maestro telúrico do sertão: filme “A música que nasceu da terra” será lançado em praça em Carnaúba dos Dantas

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Um dos personagens centrais da música potiguar, influente para as bandas filarmônicas e para a música sacra do estado, o maestro e agricultor Felinto Lúcio Dantas (1898-1986), tem vida e obra celebradas no filme “A música que nasceu da terra”, que será lançado no dia 23 de março, às 19h, com exibição na Praça Caetano Dantas, em Carnaúba dos Dantas – onde ele nasceu. A obra é assinada pela Trapiá Filmes, com pesquisa, roteiro e direção de Lourival Andrade.

Homem do sertão, Felinto Dantas conciliou o trabalho na terra com uma intensa produção musical. Atuou também como regente da banda filarmônica de Acari, que mais tarde seria renomeada em sua homenagem. Encontrou na convivência entre a agricultura e a música a inspiração para composições que atravessaram fronteiras, chegando até o Vaticano, em Roma.

“Contar através do audiovisual fragmentos da vida e obra de Felinto Lúcio Dantas é um privilégio”, declarou o diretor. Segundo ele, não se trata apenas de falar sobre um sertanejo do Seridó que construiu sua carreira entre o trabalho no campo, funções administrativas e o amor à música. É um registro sobre um dos maiores músicos da história do RN.

“Estamos contando a história de um gênio que compôs obras que ultrapassaram os oceanos e os sertões, que nunca se deixou levar pela fama, mas sim pelo respeito ao que fazia e pela vida simples que optou quase como uma missão”, disse. O filme foi gravado nos municípios de Carnaúba dos Dantas e Acari, e contou com uma equipe de 27 profissionais, entre elenco e técnicos, além da participação das bandas Filarmônica Maestro Felinto Lúcio Dantas, de Acari, e Filarmônica Onze de Dezembro, de Carnaúba dos Dantas.

A abertura do evento de lançamento contará com concerto da Filarmônica Onze de Dezembro, que executará obras do maestro: “Estreia”, sob regência de Carlos Guedes, neto do compositor; o “Dobrado Caetano Dantas”, regido por João da Banda; e as valsas “Cecília Maria Dantas” e “Delzira Medeiros”, ambas sob regência de Márcio Dantas.

Estreia

O talento para composição musical em Felinto Dantas se manifestou quando ele tinha apenas 17 anos de idade. Uma de suas maiores influências foi ninguém menos que o ilustre primo Tonheca Dantas, renomado maestro de Acari, autor da histórica valsa “Royal Cinema”, e figura fundamental na formação musical de Felinto. Ao longo da vida, ele também exerceu a profissão de agricultor, e essa atividade coexistiu com uma intensa produção musical.

Em 1917, após ler o livro “Culpa e Perdão”, criou sua primeira composição, o dobrado intitulado “Estreia”. O dobrado é um gênero musical brasileiro derivado das marchas militares europeias. Dois anos depois, em 1919, Felinto Dantas homenageou a obra literária com a valsa “Culpa e Perdão”. “Estreia” marcou o início da trajetória autoral do artista potiguar.

A última obra veio aos 88 anos, quando ele criou a valsa “Delzira Maria Dantas”, em homenagem à sua segunda esposa. Ao longo de 71 anos de criação musical, Felinto Lúcio Dantas compôs 83 dobrados, 42 valsas, 36 obras sacras, 12 marchas, 9 hinos, 4 mazurcas e 4 choros. Mais de 200 peças são atribuídas a ele.

Entre as obras mais reconhecidas do mestre estão “Quinta Novena”, executada na missa celebrada pelo Papa São João Paulo II, em 1997, na Catedral do Rio de Janeiro. Já no Dia de Corpus Christi de 2021, o “Tantum Ergo” (cuja letra é de São Tomás de Aquino, escrita em 1264) foi cantado e tocado no Vaticano. A introdução dessa peça, criada em 1957, teve como inspiração o canto do pássaro anu-branco.

No elenco também estão cinco adolescentes do Projeto Trapiá Semente, uma ação que leva vivência teatral para jovens do interior. Ao lado da equipe de gravação, os jovens assumiram personagens e vivenciaram o cotidiano de um set de filmagem. Agora, aguardam a estreia para se verem, pela primeira vez, projetados na telona.

Luiz Fernando, da Cia Teatral Beija-flor, de Jardim de Piranhas, ressaltou a importância de estar envolvido nesse projeto. “Participei das passagens de texto com os outros atores e comecei a entender melhor como funcionava aquele ambiente. Guardo essa experiência como um começo muito importante na minha trajetória”, disse.

 

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